Nós temos uma visão clara desta hora.
Sabemos que é de tumulto e de incerteza.
E de confusão de valores.
E de vitória do arrivismo.
E de graves ameaças para o homem.
Mas sabemos, também, que não é esta a primeira
hora de agonia e inquietude que a humanidade vive.
Introito, Tasso da Silveira
O poema acima pertence a Tasso da Silveira, poeta modernista brasileiro de cunho espiritualista. Apesar de ser um dos grandes poetas brasileiros do século XX, seu nome tem circulado recentemente na imprensa devido ao que ocorreu no Rio de Janeiro no dia 7 de abril de 2011.
Tal tragédia abalou os brasileiros uma vez que ninguém esperava que algo deste tipo ocorresse no Brasil, o que nos levou a refletir sobre as causas e consequências do atentado no Realengo.
Com o intuito de refletir sobre o ocorrido, escreva um texto analisando o que aconteceu e procurando as possíveis causas que levaram a esta tragédia, bem como atitudes que podemos tomar para evitar que isso ocorra novamente.
Como se trata de nossa primeira redação de cunho dissertativo, siga as orientações que daremos abaixo.
Escrever é um exercício de reflexão. Então a primeira coisa a se fazer é informar-se sobre o tema da nossa redação. Leia notícias de revistas e jornais que fizeram a cobertura da tragédia ou procure informações em sites de notícias - digite em um site de buscas (Google, Yahoo...) palavras como "realengo", "tasso da silveira", "tragédia no Rio de Janeiro";
De posse das informações, precisamos pensar sobre o que lemos procurando encontrar os porquês de tal tragédia ter ocorrido. Lembre-se de que nada na vida é simples; para que um fato como este ocorresse, vários fatores concorreram, colaboraram para isso: veja o que foi dito por especialistas, tais como psicólogos, professores... Aprofunde-se em problemas como bullying, cultura da violência, falta de acompanhamento psicológico nas escolas, facilidade no acesso às armas.
Não basta apontar problemas, é necessário pensar em soluções. Tendo em vista, as causas que levaram à tragédia, pense em ações que poderiam evitar que isso ocorra novamente.
Tendo refletido sobre o assunto, agora é a hora de escrever. Planeje o seu texto pensando em um começo, um meio e um fim para ele:
para o começo, procure fazer um breve resumo do que aconteceu no Rio de Janeiro, pois devemos começar um texto sempre partilhando com algo que nós e o nosso leitor sabemos, a isso chamamos conhecimento partilhado;
para o meio, tente estabelecer ligações entre o que aconteceu e por que aconteceu; investigue as causas, enumere-as;
para o fim, busque formas de se evitar que um atentado como este ocorra novamente.
A presente produção é a primeira de cunho dissertativo que fazemos. Como toda primeira vez, encontraremos muitas dificuldades. Mas não se preocupe, trata-se de um exercício de escrita. Em sala ainda trabalharemos técnicas de redação dissertativa e faremos outras redações do mesmo tipo.
Para começarmos a conversar sobre o tema das nossas próximas aulas, Estrutura e Formação das Palavras, começaremos por ler um texto do poeta mato-grossense Manoel de Barros.
ESCOVA
Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar o osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechados no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entressonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora."
NOTA: caso tenha interesse em conhecer mais sobre a vida e obra do poeta Manoel de Barros, clique aqui.
Para compreendermos o texto que acabamos de ler, vamos pensar nas questões abaixo:
·O que o poeta tinha vontade de fazer?
·O que fazem os arqueólogos?
·Como poderíamos escovar palavras?
·O que ocorre quando escutamos conchas?
·Por que as palavras são conchas de clamores antigos?
Tendo pensado nas questões acima, uma das possíveis reflexões que o texto nos permite fazer é a de que as palavras não surgem junto com a gente. Não somos os primeiros a pronunciá-las nem as inventamos. Antes de nascermos elas já existiam e já eram usadas por outras pessoas. Nós as aprendemos ouvindo de outras pessoas ou as lendo em algum lugar. Mas se elas existem antes de nós e, muitas vezes, antes de nossos pais e avós, então de onde elas vêm?
O poeta nos diz que as palavras possuem muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. O que ele quer dizer com isso?
Para entendermos melhor, vamos pensar na palavra gárgula. Você já viu uma gárgula? Veja a imagem abaixo:
Podemos chamar gárgulas a essas esculturas de seres imaginários que aparecem geralmente em prédios e templos antigos. Segundo o Houaiss, gárgula é:
“desaguadouro, parte saliente das calhas de telhados que se destina a escoar águas pluviais a certa distância da parede e que, especialmente na Idade Média, era ornada com figuras monstruosas, humanas ou animalescas”.
Sendo assim, notamos que, em princípio, gárgula dá nome a uma espécie de calha, à qual os medievais, com um intuito artístico, acrescentaram uma estrutura esculpida, como a que vemos acima, ocorrendo que, ao escoar a água da chuva, ela sai pela boca da criatura fazendo um som parecido com o de gargarejo. Ora, muitas vezes, para representar o barulho da água escoando ou sendo bebida por alguém usamos o som da letra g (por exemplo, glub; glog...). Dessa forma, o pedaço garg na palavra gárgula refere-se a gargarejar e nos recorda o barulho produzido pela água. É nesse sentido que o poeta nos diz que as palavras possuem no corpo(as letras que as formam) muitas oralidades(sons) remontadas.
Somente uma curiosidade: pode ser que você questione por que as igrejas têm imagens de monstros esculpidas em seus topos em vez de se esculpir anjos? Dê uma olhada neste detalhe da Catedral da Sé:
A resposta é de que, especialmente na Idade Média, acreditava-se que o Paraíso ficava sobre uma grande montanha que se localizava em alguma parte da Terra, desconhecida dos homens. A fim de que estes não subissem sem o devido consentimento ao Paraíso, imaginava-se que Deus mantinha criaturas maravilhosas que impediam a aproximação de intrusos. É com o objetivo de se referir a esses monstros que as igrejas possuem tais esculturas no alto dos templos.
Saciada a curiosidade, vejamos outro exemplo, agora referente às significâncias remontadas de nos fala o poeta. Para tanto, analisemos a palavra útero.
Segundo Houaiss, útero é o órgão muscular oco do aparelho feminino que acolhe o ovo fecundado durante seu desenvolvimento e o expulsa, finda a gestação.
A grosso modo, podemos dizer que o útero é um recipiente, pois recebe algo em si. Contudo, este algo que ele recebe é um ser vivo e, socialmente, a notícia de uma gravidez costuma ser uma alegria para os pais e aqueles que são ligados aos pais. Ora, segundo um estudo etimológico (ciência que estuda a origem das palavras), a palavra útero vem de outra palavra latina, uter, que era usada remotamente para designar o odre, recipiente em que se guarda líquidos, dentre eles o vinho. Esta última bebida é tida pela tradição como símbolo da alegria e da vida. Dessa forma, podemos perceber que a palavra para designar o órgão que gera a vida vem de outra palavra que se refere a um recipiente cujo líquido guardado em si é motivo de alegria para os homens. Assim, os significados de útero e odre estão ligados por uma relação de sentido.
É por isso que o poeta diz que as palavras são conchas de clamores antigos, porque as ouvindo atentamente, investigando suas origens, podemos descobrir de onde elas vêm, mesmo que estas significâncias e oralidades estejam longe de nós, no tempo e no espaço.
Agora, resta-nos pensar: será que é possível escovar as palavras?
Vejamos. Apliquemos a nossa “escova” à palavra infelizmente.
Se escovarmos o final dessa palavra, retirando todas as letras dela até chegarmos à outra palavra, teremos infeliz. Se decidirmos escovar o começo dela, então teremos uma nova palavra: feliz.
Poderíamos também viajar no tempo para procurar suas antigas oralidades e significâncias, mas creio que já está provado que é possível escovar palavras.
É exatamente isso que aprenderemos a fazer em nossas próximas aulas. Não somente a escovar palavras, mas também a utilizar outros instrumentos que nos ajudarão a descobrir os significados das mesmas. Por exemplo, podemos também dividir palavras em pedaços menores que contêm sentido em si.
Dê uma olhada no exemplo abaixo:
Podemos dividir a palavra arqueologia em arqueo (=arcaico, antigo) e logia (estudo), sendo arqueologia uma ciência que estuda antiguidades. Podemos também pegar o termo logia e juntar a outros pedaços de palavras, tais como socio, psico, geo. No último caso, formamos a palavra geologia que significa estudo (=logia) da terra (=geo). Se juntarmos geo com grafia, teremos geografia, que é a ciência que descreve a terra por meio de mapas e outros instrumentos. Grafia significa escrita. Podemos juntá-la a orto e teremos ortografia, que é a escrita (=grafia) correta (=orto) das palavras, ou a cali e teremos caligrafia, que é a bela (=Cali) escrita (=grafia) das palavras. E assim por diante.
Em nossas aulas, desde o início do ano letivo até o presente momento, tivemos a chance de analisar algumas características do texto. Resumirei brevemente aqui os tópicos mais importantes que vimos:
1. A característica mais importante de um texto é sua unidade de sentido. A mera junção de palavras ou frases não pode ser chamada de texto. Para que um conjunto de palavras ou frases receba este nome elas precisam estar relacionadas umas com as outras formando um todo.
2. Quando pensamos em texto, costumamos imaginar somente palavras reunidas como que em um bloco. Contudo, um texto pode ser construído a partir de uma linguagem verbal, composta somente de palavras faladas ou escritas (um conto) ou uma linguagem não-verbal (uma fotografia, um quadro), ou ainda uma linguagem verbal e não-verbal (um filme, uma reportagem, uma novela).
3. Todo texto é produzido por um sujeito que viveu num determinado lugar e num determinado tempo. Sendo assim, devemos sempre considerar o tempo e o lugar onde um sujeito escreveu o texto, pois esses elementos podem nos dar pistas importantes para melhor compreendermos o texto.
4. Os textos podem ter características em comum quanto à finalidade, à estrutura e à linguagem empregadas. Sendo assim, eles podem ser classificados segundo gêneros textuais. Por exemplo: receita, conto, letra de música, poema, fábula, crônica...
5. Se compararmos dois textos, podemos encontrar semelhanças e diferenças quanto ao tema (o que o texto diz) e quanto à forma (como ele diz).
6. Muitas vezes encontramos textos que citam, direta ou indiretamente, outros textos, anteriores a eles. Então ocorre como que um “diálogo” entre textos. A isso chamamos intertextualidade.
7. Em certos momentos, o sujeito que produz um texto pode estar impedido de dizer o que deseja ou pode simplesmente não querer dizê-lo tão claramente. Nesses casos, ele pode utilizar imagens que, de forma figurativa,expressem aquilo que ele realmente deseja dizer. Por exemplo, na fábula dO lobo e o cordeiro, La Fontaine conta a história da relação entre os dois animais com o objetivo de mostrar ao leitor que, numa terra sem lei, vale a lei do mais forte. Assim, o lobo e o cordeiro são imagens que ilustram para nós as relações injustas que podem existir quando os homens não são regidos por leis ou não as respeitam.
Referências bibliográficas:
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Fracisco Savioli. Lições de texto: leitura e redação. 4ª ed. São Paulo: Editora Ática, 2002.
SAYEG-SIQUEIRA, João Hilton. O texto. 7ª ed. São Paulo: Selinunte Editora, 1990.
Em nossas aulas vimos que o texto não é construído somente com linguagem verbal (palavras), mas também pode ser contruído a partir de uma linguagem não-verbal (imagens). Dessa forma, considerando que os textos podem usar as linguagens mais diversas, é possível se fazer a leitura de um quadro ou escultura, por exemplo. A fim de nos exercitarmos na leitura de imagens, apreciaremos abaixo alguns fotos do conjunto escultórico O último adeus, de Alfredo Oliani. Em seguida, sugiro que procuremos refletir sobre as questões abaixo da imagem. Para realizarmos melhor este exercício, não deixe de registrar suas respostas no caderno.
Em relação às imagens acima:
Em que lugar a escultura está localizada?
Por que a escultura parece deslocada ou inadequada em relação ao lugar no qual ela se encontra?
Podemos notar oposições (contrários) na escultura? (Para tanto observe quais são as figuras que compõem a obra, quais são suas atitudes...)
Junto à estátua, estão as seguintes palavras: "Ó Nino, meu esposo, meu guia e motivo eterno de minha saudade e de meu pranto. Tributo de Maria". Se compararmos essas palavras à escultura, que incoerência encontramos?
Para melhor compreendermos este conjunto escultórico, vamos ler o artigo O 'Último Adeus', de Alfredo Oliani, que saiu no caderno Metrópole dO Estado de São Paulo em 28 de outubro de 2006. Seu autor é o professor e escritor José de Souza Martins.
Aquele Beijo já deu o que falar. O conjunto escultórico Último Adeus, de Alfredo Oliani, no Cemitério São Paulo, é a mais comentada obra de arte cemiterial da cidade de São Paulo. Muitos a consideram uma proclamação de erotismo estético, até mesmo uma ousadia profunda a indevida na arte funerária paulistana. Enganam-se. Está localizada logo à direita de quem entra pelo portão principal do Cemitério, na Rua Cardeal Arcoverde. É inevitável que o visitante logo a veja, seja pelo volume seja pelo tema. Um portão lateral menor dá quase na frente da bela obra. Ali é o túmulo de Antônio Cantarella, falecido nas antevésperas do Natal de 1942, com 65 anos de idade, e de sua esposa, Maria Cantarella, dez anos mais moça.
Ela faleceria muitos anos depois do marido, em 1982. Os dizeres inscritos na pedra do túmulo, quando seu falecimento, informaram que “aqui repousa Maria Cantarella ao lado de seu inseparável e amado esposo...”. Quando da morte do marido, mandara ela própria esculpir na pedra fria estas palavras calorosas e apaixonadas: “Ó Nino, meu esposo, meu guia e motivo eterno de minha saudade e de meu pranto. Tributo de Maria”. É como se ela fizesse questão de apresentar aos passantes anônimos o homem de sua vida, apresentado-se a si mesma assim tão exposta na imortalidade de seu amor.
Os dois escritores vão muito além da maioria dos textos em memória dos mortos de nossos cemitérios. Especialmente o da própria Maria, uma intensa e direta palavra de amor, uma recusa em reconhecer o tenebroso abismo da morte. Tanto a palavra de Maria quanto a própria obra de arte enchem de luz aquele recanto do cemitério. A escultura de Oliani é sem duvida uma das nossas mais finas e mais belas representações da dor da separação, porque a nega na intensidade carnal do encontro entre um homem e uma mulher.
O motivo principal do conjunto escultórico de Oliani é uma comovente expressão do sentido do amor na vida dos dois. Um homem atlético, nu, reclina-se apaixonadamente sobre o corpo de uma mulher jovem e bela para beijá-la. Ela está morta. A esposa, sobrevivente do casal, pede ao artista uma escultura que celebre abertamente o sentimento profundo de sua união com o marido, reconhecendo-o ainda vivo em sua vida, depois dele morto, e ela própria morta sem a companhia dele. Não reluta na confissão de sua paixão. De fato, há um expressivo componente erótico nesse monumento funerário. Muito mais expressivo, porém, porque está contido numa relação invertida: a viúva declara-se morta e declara o marido de seu imaginário conjugal ainda vivo e no seu pleno vigor de homem. A extraordinária beleza do túmulo do casal Cantarella está na eloquente recusa da anulação do corpo e da sexualidade pela morte, na eloquente declaração de amor sem disfarce, de Maria por Antônio, o Antonino, o Nino.
Alfredo Oliani, filho de italianos, nascido em São Paulo, em 1906, e aqui falecido em 1988, tinha como características de suas obras, várias das quais localizadas ali no Cemitério São Paulo, a sensualidade e a beleza femininas e o nu, como neste conjunto do sepulcro dos Cantarella. Estudara aqui mesmo, na Academia de Belas-Artes de São Paulo, com Nicola Rollo, que também deixou nos cemitérios paulistanos obras emblemáticas, como Orfeu e Eurídice, no Cemitério da Consolação, a celebração da imortalidade do amor do casal mítico.
Foi aluno, ainda, de Amadeu Zani, autor do Monumento á Fundação de São Paulo, no Pátio do Colégio, e do conjunto escultórico em memória de Giuseppe Verdi, no Vale do Anhangabaú. Na Itália, na Academia de Belas-Artes de Florença, estudou com Giuseppe Grazziosi, fotógrafo, pintor e escultor, que recebera influências de Rodin.
Antônio Cantarella veio da Itália já casado com Maria. O amor dos dois é lendário na família. Antônio imigrou rico e se estabeleceu em São Paulo como comerciante e proprietário. Se deixou bens, não sei. Ele e Maria deixaram mais que isso, a lenda de sua paixão sobrepondo-se à própria morte.
Diz que um leão enorme ia andando chateado, não muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas.
Eis que, subitamente, o leão defronta com um pequeno rato, o menor que ele já tinha visto. Pisou-lhe a cauda e, enquanto o rato forçava inutilmente pra escapar, o leão gritava: "Miserável, criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe: não conheço na criação nada mais insignificante e nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você, desgraçado, inferior, mesquinho rato!" E soltou-o .
O rato correu o mais que pode, mas, quando já estava a salvo, gritou pro leão: "Será que Vossa Excelência poderia escrever isso pra mim? Vou me encontrar com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso pra ela com as mesmas palavras!"
Moral: Ninguém é tão sempre inferior.
Submoral: Nem tão nunca superior, por falar nisso.
1. Quais os principais personagens do texto?
2. Por que o Leão estava chateado?
3. Em quem ele (o Leão) resolveu descontar a sua fúria e por que resolveu poupar-lhe a vida?
4. Por que o animal ofendido queria que o Leão escrevesse as ofensas que fez a ele?
5. Pesquise no dicionário a palavra HIERARQUIA e copie seu significado.
6. Dê um exemplo de hierarquia que você vivencia ou conhece em nossa sociedade.
7. Por que o texto se chama HIERARQUIA?
8. Em sua opinião, o Leão agiu com justiça? Por quê?
9. Pesquise o que é uma FÁBULA.
10. Podemos classificar este texto como uma fábula? Por quê?
11. Compare o texto que lemos agora com a fábula “O Lobo e o Cordeiro”, de La Fontaine, que lemos em sala. Quais são as semelhanças e diferenças entre os dois textos quanto ao tema e à estrutura?
Observação: o presente extraclasse foi sugerido pela professora Nilde, de Linguagens e Códigos do Módulo IV - Noturno.
Após termos visto que todos nós temos direitos garantidos pela CONSTITUIÇÃO, bem como deveres que também estão previstos pela mesma lei, devemos recordar que NEM SEMPRE tivemos esses direitos e que, mesmo hoje, muitos deles ainda não são plenamente garantidos pelo Estado. Por isso, também é importante lembrarmos que eles não nos foram dados, mas foram conquistados e que, apesar de eles terem sido declarados, ainda necessitamos fazer muito para que eles se estendam efetivamente a todos. Para aprofundarmos nossa reflexão, vamos ler o texto abaixo.
ESTATUTOS DO HOMEM
(ATO INSTITUCIONAL PERMANENTE)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Thiago de Mello, em Santiago do Chile, abril de 1964.
Caso deseje conhecer o poeta Thiago de Mello e ouvir, pela voz do próprio autor, o poema acima, dê uma passadinha no YouTube.
QUESTÕES:
1. Tendo lido o poema “Estatutos do Homem”, observe algumas características da linguagem empregada nele e de sua organização e diga com que outro tipo de texto este poema se parece e por quê?
2. Vamos pensar um pouquinho no que pode significar as seguintes imagens. Para tanto não deixe de ler os trechos dos quais elas fazem parte.
a) couraça de silêncio (Artigo V);
b) armadura de palavras (Artigo V);
c) pântano enganoso das bocas (Artigo Final).
Agora, procure interpretar o que cada uma dessas imagens quer dizer. Registre suas interpretações.
3. O poema que lemos foi escrito pelo poeta em 1964 no Chile. Sempre que lemos um texto é importante que fiquemos atentos ao momento e lugar em que ele foi escrito, uma vez que um texto sempre dialoga com o contexto no qual está inserido. Para lembrar as palavras de Marisa Lajolo, “o mundo da leitura nos remete à leitura do mundo”.
Portanto, pesquise que fatos ocorreram no Brasil em 1964 e procure relacioná-los com o poema de Thiago de Mello. Depois, diga por que o poema também se chama “Ato Institucional Permanente”.
4. No artigo VI, o poeta cita um texto de Isaías (profeta bíblico que viveu no século VII a.C. sob o reinado de Acaz, caracterizado pela corrupção moral). No livro bíblico que registra as profecias de Isaías, está escrito: “O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi, e pó será a comida da serpente”.
Responda às seguintes questões:
a) Você já havia ouvido esta frase do profeta Isaías?
b) Como é a relação na natureza entre o lobo e o cordeiro?
c) Considerando que o profeta prediz um lugar em que o lobo e o cordeiro pastarão juntos, como é a sociedade sonhada pelo profeta?
Aprofundando:
Ao citar um trecho do livro do profeta Isaías, o poeta Thiago de Mello estabelece um “diálogo” com um texto mais antigo, nesse caso cerca de 2800 anos. A esse diálogo entre textos, nós chamamos INTERTEXTUALIDADE. Se quiser conhecer um pouquinho mais sobre isso, clique aqui.
PARA LEITURA E DISCUSSÃO:
O LOBO E O CORDEIRO
Um cordeiro matava sede numa corrente de água pura, quando chega um lobo cuja fome o levava a buscar caça.
- Que atrevimento é esse de sujar a água que estou bebendo? – diz enfurecido o lobo. – Você será castigado por essa temeridade.
- Senhor – responde o cordeiro -, que Vossa majestade não se encolerize e leve em conta que estou bebendo vinte passos mais baixo que o Senhor. Não posso, pois sujar a água que está bebendo.
- Você a suja – diz o cruel animal . – Sei que você falou mal de mim no ano passado.
- Como eu poderia têlo feito, se não havia sequer nascido? – responde o cordeiro. – Eu ainda mamo.
- Se não foi você, foi seu irmão.
- Eu não tenho irmãos.
- Então, foi alguém dos seus, porque todos vocês, inclusive pastores e cães, não me poupam. Disseram-me isso e, portanto, preciso vingar-me.
Sem fazer nenhuma outra forma de julgamento, o lobo pegou o cordeiro, estraçalhou-o e devorou-o.
(La Fontaine Tours, Alfred Mame et Fils, 1918.v.1,p.10)
ATIVIDADE COMPLEMENTAR:
Agora, realizaremos um exercício de comparação entre o texto que lemos “Estatutos do Homem” e a música que ouviremos, “Pontes Indestrutíveis”, cuja letra encontramos abaixo.
Pontes Indestrutíveis
Composição:Charlie Brown Jr.
Buscando um novo rumo
Que faça sentido
Nesse mundo louco
Com o coração partido eu...
tomo cuidado
Pra que os desequilibrados
Não abalem minha fé
Pra eu enfrentar
Com otimismo essa loucura...
Os homens podem falar
Mas os anjos podem voar
Quem é de verdade
Sabe quem é de mentira
Não menospreze o dever
Que a consciência te impõe
Não deixe pra depois
Valorize a vida...
Resgate suas forças
E se sinta bem
Rompendo a sombra
Da própria loucura
Cuide de quem
Corre do seu lado
E quem te quer bem
Essa é a coisa mais pura...
Fragmentos da realidade
Estilo mundo cão
Tem gente que desanda
Por falta de opção
E toda fé que eu tenho
Eu tô ligado
Que ainda é pouco
Os bandidos de verdade
Tão em Brasília tudo solto
Eu faço da dificuldade
A minha motivação
A volta por cima
Vem na continuação
O que se leva dessa vida
É o que se vive
É o que se faz
Saber muito é muito pouco
"Stay Will" esteja em paz..
Que importa é se sentir bem
Que importa é fazer o bem
Eu quero ver meu povo todo
Evoluir também
Que importa é se sentir bem
Que importa é fazer o bem
Eu quero ver meu povo todo
Prosperar também
Que importa é se sentir bem
Que importa é fazer o bem
Eu quero ver meu povo todo
Evoluir também
Que importa é se sentir bem...
Viver, viver e ser livre
Saber dar valor
Para as coisas mais simples
Só o amor constrói
Pontes Indestrutíveis...
Lembre que, ao compararmos dois textos, procuramos estabelecer diferenças e semelhanças.
1. Em relação à organização do texto na página, há alguma semelhança entre os dois textos?
2. Quanto à mensagem dos dois textos, é possível estabelecer comparações?
3. O que o autor quer dizer com “Cuide de quem corre do seu lado”? Essa preocupação manifestada na música também pode ser encontrada em algum artigo do poema “Estatutos do Homem”? Se sim, qual?
4. Por que “só o amor constrói pontes indestrutíveis”? O amor também é considerado importante para o mundo ideal do poeta Thiago de Mello? Em que artigos ele manifesta isso?
OBS.: a proposta de se trabalhar esta letra de música com os alunos me foi feita pela professora Nilde, colega de trabalho do CIEJA, no qual dá aulas de Linguagens e Códigos no Noturno.
Na aula passada, ouvimos a música "BRASIL" de Cazuza e a comparamos com o texto "SÓ DE SACANAGEM", de Elisa Lucinda. Agora ouviremos a música "QUE PAÍS É ESTE?". Você perceberá que esta canção tem muito a ver com a música de Cazuza. Tanto este quanto Renato Russo, autor da música que ouviremos, pertencem à geração dos anos 80. O vídeo disponível, no entanto, é uma interpretação da banda Paralamas do Sucesso, também da mesma época.
Que País É Este?
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo
Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que pais é este?
No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense
No Mato grosso, nas Gerais e no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é este ?
Terceiro Mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão.
Que país é este?
Caso se interesse por conhecer mais a obra de Renata Russo e sua banda, a Legião Urbana, CLIQUE AQUI.
PARA REFLETIR:
Leia com atenção o trecho abaixo:
Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Neste trecho nós ouvimos a palavra Constituição. Você sabe o que ela significa? Discuta com seus colegas e tente descobrir o sentido dessa palavra. Depois registre as conclusões do grupo em seu caderno.
Na canção que ouvimos, o artista, em tom de indignação e após constatar que a corrupção está por toda parte, indaga: “Que país é este?”. Em grupo, discuta quais são os problemas que impedem o Brasil de ser um país em que vigore a justiça e a igualdade. Depois faça uma lista enumerando aqueles que você considera os cinco principais problemas do país.
APROFUNDANDO O TEMA DA AULA:
Em discussão com seus colegas, vocês provavelmente pensaram em um sentido para a palavra CONSTITUIÇÃO, tal como ela se insere no contexto da música. Vamos verificar se vocês descobriram o que esta palavra significa?
Para tanto, leremos o livro “OAB VAI À ESCOLA”, da página 3 à 6, por enquanto. Ele é uma iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil e tem por objetivo expor ao aluno os direitos fundamentais do Cidadão, contidos na CONSTITUIÇÃO.
Caso não tenha lido a obra em sala com os demais colegas. Acesse-a pela Internet clicando em:
A partir do lemos na obra, vamos registrar alguns conceitos para podermos nos aprofundar em nossos estudos?
A situação da EDUCAÇÃO, da SAÚDE e da SEGURANÇA PÚBLICA no BRASIL nos deixa indignados porque sabemos que temos direito a esses serviços, tanto em relação ao acesso quanto à qualidade deles. Saber que temos esses direitos e outros mais é um primeiro passo para a consciência de que somos cidadãos. Cidadão é ____________________________________ . Contudo, para que saibamos exatamente quais são nossos direitos e deveres, precisamos conhecer a CONSTITUIÇÃO. Ela é ___________________________________________________________________________. Além disso devemos saber que DIREITO é ________________________________________________________________ e DEVER é _________________________________________________.
Estando ciente desses conceitos, vamos entender melhor como funciona o GÊNERO TEXTUAL LEI.
O texto normativo
O texto normativo muitas vezes tem natureza jurídica, ou seja, serve para regular as relações entre os homens, estabelecendo aquilo que eles podem fazer ou deixar de fazer. Dessa forma, a LEI é um tipo de texto usado para registro das normas que organizam (regulam) a vida de uma sociedade, dispondo direitos e obrigações de cada um de seus membros.
Ela tem uma organização essencial disposta em ARTIGOS e INCISOS, podendo ser dividida também por TÍTULOS, CAPÍTULOS e SEÇÕES.
Os ARTIGOS são divisões da lei e são registrados em numeral ordinal (1º, 2º, 3º) até o nono artigo. Depois usam-se numerais cardinais (10, 11, 12...).
Os INCISOS são subdivisões dos artigos e são registrados em numerais romanos (I, II, III...).
Leia agora um trecho do Art. 5º da Constituição Federal:
TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias FundamentaisCAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
Podemos perceber neste pequeno trecho como é redigida uma lei. Nela vemos as divisões possíveis e o CAPUT, que é o enunciado principal do Artigo (destacado em amarelo).
SOBRE NUMERAIS:
Como vimos, o gênero Lei usa muitos tipos de numerais. Caso deseje recordar o que são numerais cardinais, ordinais, romanos... basta dar uma navegada pelos links abaixo: